quarta-feira, 29 de junho de 2016

DesaFRIO Urubici - 45km

Tá feito!!! Finalizo o meu primeiro semestre do ano exatamente (ou MUITO melhor do que planejei)!!!
Acho que já comentei sobre isso aqui, mas vale lembrar - não sou atleta de muitas provas, primeiramente porque o custo tem ficado cada vez mais alto, tanto das provas de tri como das corridas e aliado a taxa de inscrição tem viagem, hospedagem, alimentação, o que acaba por vezes triplicando o valor total, Além disso existe o fator tempo, viajar todos os finais de semana ou grande parte deles é totalmente inviável para mim, afinal tenho meus compromissos profissionais e uma vida particular em paralelo, terceiro que acho totalmente desnecessário competir tanto (vejam bem, estou falando de MIM), sempre opto por duas provas no semestre e direciono minha atenção a elas...não sou o tipo de pessoa que tem necessidade de estar em constante competição para me motivar (mais uma vez, não condeno quem o faz, estou falando de MIM).

Pois bem, a prova que fechou meu semestre foi o DesaFRIO de Urubici, em Santa Catarina, uma prova de montanha, com baixas temperaturas e altimetria elevada. Por 12 anos o percurso contou com 52km, que podiam ser feitos individualmente ou em dupla (um subia o outro descia) e a prova passava por pontos turísticos como a Pedra Furada e a Cachoeira Véu da Noiva. Esse ano a direção do parque vetou a entrada dos atletas (disseram por questões políticas) e o percurso caiu para 45km (somente solo) porém com um grau de dificuldade bem maior (segundo pessoas que correram nos outros anos).

E lá foi a Maria Cláudia, depois de uma viagem que começou a 1h da manhã da quinta feira e terminou as 13h, cheguei em Florianópolis, onde aguardaria até a sexta de manhã pelo ônibus da organização que levaria os atletas até a cidade de Urubici. Para curar a canseira da viagem fiz uma caminhada até a praia do Campeche, lugar que descobri ter sido passagem de Antoine de Saint-Exupéry - jantei inclusive em um restaurante chamado "Pequeno Príncipe", onde alguns cãezinhos nativos me fizeram cia, conquistando um pedaço do meu filé de frango!


A vista do mar e céu azul...
Recepcionando os clientes!







Na sexta foi dia de pegar o ônibus com destino a Urubici, fomos em 9 atletas pelas estradas bem sinuosas, cheias de neblina e com paisagens maravilhosas, fizemos uma parada para almoço onde pudemos sentar todos juntos e nos conhecer melhor e cerca de 13h chegamos em Urubici, onde retiramos nossos kits e cada um foi para sua hospedagem. A cidade é pequena (11 mil habitantes) porém muito hospitaleira, precisava de wi-fi para poder localizar minha pousada (não conseguia sinal pela operadora), então entrei no primeiro comércio que encontrei e gentilmente me ofereceram a senha para que eu pudesse me situar. Rapidamente instalada na Pousada Girassol (a qual eu super recomendo pela proximidade com a largada, mas principalmente pela simpatia e aconchego: Site Pousada Girassol - clique aqui ) sai para fazer um treininho de 5km ( o coach disse "para sentir os ares da cidade").  Parei no pórtico onde seria a chegada e encontrei um casal tirando fotos, ambos correriam a prova (ele nos 45km e ela nos 10km)...muito simpáticos, conversamos um pouco e retornei a pousada. Passei a ajeitar meu material de prova, tudo que precisaria para me alimentar, a bebida na mochila de hidratação (essa vai merecer uma atenção especial logo mais), separar roupa, enfim, deixar tudo ajeitado para o dia seguinte. Mais uma família hospedada na pousada chegou de um passeio, o marido também correria a prova (já havia corridos anos anteriores, inclusive feito em dupla com a esposa); combinamos de jantar todos juntos ali pertinho da pousada mesmo!

Chegou então o sábado!! Acordei bem cedo para me trocar, tomar café com calma e sentir o clima..fomos para o local da largada, que seria as 7h30min. Estava frio, mas nada absurdo - de qualquer modo optei por me agasalhar bem e se fosse o caso guardaria as roupas na mochila.


Pré largada...em frente a Pousada Girassol

Pontualmente foi dada a largada, saímos pela avenida principal e seguimos em direção as montanhas...logo nos primeiros kms ja começamos a subir...consegui manter um trotinho leve para não ter que caminhar logo de início e nas partes mais difíceis alternava caminhada e corrida. Resolvi testar a mochila de hidratação (coisa que não consegui fazer antes pois estava usando emprestada) e não conseguia sugar o líquido que havia levado (um recovery)...dei uma paradinha, mexi no caninho e nada, não estava dobrado, nem entupido...mas o líquido simplesmente não saia. Continuei correndo e percebi que havia deixado meu óculos de sol no chão durante essa paradinha o que me fez voltar alguns metros para buscar....o óculos estava embaçando demais e resolvi que não teria como usa-lo, então mais a frente foi um dos itens dispensáveis, guardei na mochila.

O percurso realmente passa por paisagens deslumbrantes, as araucárias dominam grande parte do ambiente, junto a uma vegetação bem característica que dá muita beleza as estradas de terra. Nesse primeiro terço da prova ainda encaramos mais algumas subidas, mas sabia que ainda não era a parte mais difícil, mais algumas vezes tentei usar a mochila de hidratação e nada - até uma staff se ofereceu para ver se havia algum problema...mas não encontrou nada de errado - desse modo procurei me hidratar bem nos postos de água e enchi uma garrafinha que havia levado com isotônico, assim nos momentos necessários teria líquidos para ingerir. A água da prova era oferecida em copinhos normais, sem tampa...isso para evitar o descarte de lixo durante o trajeto, portanto não havia modo de carregar essa água enquanto corríamos.

Corri por um tempo com um outro grupo de mulheres, fomos juntas nos ajudando em um trecho cheio de lama e água, porém elas fariam o percurso de 22km e logo nos separamos, segui sozinha novamente, chegando ao primeiro ponto de controle, num lugar bem alto e cheio de neblina.

Passei grande parte da prova correndo sozinha e as vezes dava até um medinho de estar meio perdida no percurso, mas logo via uma faixa de sinalização,um  fotógrafo e até mesmo outros corredores. O trecho mais difícil deve ter começado lá pelo km 22...a maior subida de todas: praticamente 7km em íngremes, com muito barro que formavam verdadeiras placas nas solas do tênis, para mim quase impossível realmente correr, mas conseguia algumas vezes encaixar um ciclo de 10 passos trotando para 20 ou 30 caminhando...assim foi até o ponto mais alto, um pouco além do km30 - nesse trecho já encontrávamos muitos atletas retornando e que nos davam incentivo devido a dificuldade: "Força! - Está quase lá! - Continua que mais um pouquinho tem sopa quentinha!" - realmente havia mais um ponto de controle, com bebidas, sopa, paçoquinha e banheiro. Tomei dois copinhos de sopa, fui ao wc , fiz a reposição na garrafinha de isotônico e iniciei minha descida. Sabia que o pior já tinha passado e agora queria muito finalizar a prova!! Estava bem motivada, principalmente por estar me sentindo bem, sem dores e conseguindo encaixar bons ritmos dentro do que me programei.

Descer o barreiro todo já foi tarefa bem menos difícil que subir...porém não menos trabalhosa, afinal virou uma bela massaroca grudenta!!!A mochila de hidratação começou a machucar meu ombro, então resolvi fazer o que já devia ter feito muito antes: descartei todo o líquido já que não pude bebe-lo.

Como já não havia mais nenhum trecho com subida, pude correr até o fim e a cada km vencido maior era a vontade de continuar e chegar!!! Nos últimos 5km consegui fazer meus melhores tempos da prova...rs...todos kms foram abaixo de 6' e consegui até fazer uma ultrapassagem faltando 4km para encerrar a prova.

A chegada era no mesmo local da largada e o locutor anunciava nome e cidade de cada pessoa, achei isso bem legal....passei o primeiro tapete e vi o senhor Francisco (dono da pousada) - ele acompanhou a filha nos 10km e estava lá também quando eu cheguei.

No total percorri a prova em 6 horas e 9 minutos. Foi meu maior tempo correndo até hoje, mas foi apenas minha primeira ultra maratona - espero aos poucos ir conquistando mais quilometros.

Fiquei descansando um pouco sentada no chão, tomei sopa para esquentar e conversei um pouco com o senhor Antonio, que veio no mesmo ônibus que eu - em qualquer momento é tempo de aprendermos lições - ele é catador de recicláveis em Juíz de Fora, mas ama correr e faz do seu trabalho o seu treino - diz não ter acompanhamento médico, nem mesmo nutricional, não tem condições financeiras para isso, mas sente-se bem correndo e enquanto puder é isso o que ele quer fazer. Enquanto conversávamos uma das staffs que ajudou na organização do evento ofereceu almoço a ele, ele aceitou e prontamente pôs-se a comer...porém me falou baixinho : "Olha isso aqui, batata frita não é bom pra gente não viu!?" - Mas depois de percorrer 45km em 5h40min , com 68 anos e todo esse histórico de vida eu disse a ele que naquele dia ele merecia!!!

Voltei até a pousada para tomar banho, descansar e depois sair para um lanche - fui então até a pracinha para ver as classificações e qual não foi minha surpresa ao constatar que fui 8a. geral feminino e 2a. na minha categoria!!! Fiquei super feliz!!!

A premiação foi no início da noite ao lado da Igreja Matriz e foi bem legal ver toda galera feliz e comemorando suas premiações...e claro também pegar a minha!!! Encontrei os queridos Daniel Meyer e a Liana e sua família , sempre é muito bom conversar com eles!!!

Bem, domingo foi dia de retornar, fazer o caminho de volta, tanto de ônibus, quanto de avião...e voltar para minha casinha, com a mala mais pesada, as pernas mais cansadas mas o coração cheinho de emoções vividas!!!

Experiência incrível, espero poder voltar e finalmente concluir o percurso de 52km!!!A prova não é fácil, o percurso é bem exigente e requer boa preparação, física, mental e uma adequada estratégia alimentar...mas toda a experiência vivida é extremamente compensatória....justamente pela dificuldade e claro, pelo lugar maravilhoso!!!

Para complementar a postagem estou anexando também o link do RunGustavoRun que fez uma matéria bem bacana mostrando em vídeo tudo isso que contei acima: Desafrio Urubici por RunGustavoRun - clique


P.S: para dar o desfecho da história da mochila, o lance foi o seguinte...durante meus treinos eu usei uma da Camelback emprestada pela minha amiga Valéria, para a prova precisada de mais bolsos, então ela me emprestou a Quechua Extende 010; só quando fui lavar (já em casa) percebi que o bico era ON-OFF ou seja, eu deveria puxar ou apertar para que o líquido descesse pelo caninho!!! Nota zero pra mim que não olhei isso antes!!!


subidas...

...mais subidas...
...quase no final das subidas...


...finalmente retornando!


Até que cheguei bem animada :)



Tênis embarreado e descolado!!!




Premiação - 2a. colocada categoria F2 - 30-39 anos

Senhor Antônio, grande corrredor e ultramaratonista!!! Exemplo de determinação, humildade e persistência!!!
Senhor Francisco da Pousada Girassol




Família Meyer querida!



Feliz depois da prova!!!







4 comentários:

  1. Parabéns Cláudia! Adorei o seu texto! Você disse no início uma grande verdade sobre não optar por participar de muitas provas. (Já fiz isso mas não quero fazer mais). Eu concordo, porque a corrida, o triatlon não podem se resumir apenas nas competições. Os treinos diários são a base para as nossas conquistas, e competir sempre não dará sentido aos treinos e sim atrapalhá-los.
    Parabéns pela conquista e por seu relato! E obrigada por compartilhar.

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    1. Oi Dani, com toda certeza...o esporte para mim é um hobby, uma paixão...quero praticar sempre, me divertindo e com qualidade de vida! Bjs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Ola Jheny, obrigada pelas palavras e simpatia...espero fazer a prova novamente, as paisagens são lindas e a cidade muito hospitaleira!

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